E o pires tem que se partir

Estou rezando para tristezas, imploro às noites uma nova vida e apenas o Sol brilha em mim. Sentir incomodo na brandura e asco de beleza, vem sendo os meus passatempos.
Disse à pouco que talvez meu chão cairia e uma cratera de almas me engoliria, meu bem estou procurando uma pá! Meu infortúnio agora é a calmaria. É essa brisa de uma só mão, são esse cheiros de conforto que me desolam!
Por Deus marinheiro, venha me salvar! Posso não servir de donzela, faça-me de isca, mas tire-me deste lugar! Já rezei em 20 línguas, xinguei todos os Deuses, fiz rituais profanos e nada! Nem um pingo da lágrima. Será esse lugar o inferno? 
Me envie uma desgraça, faça as rochas arderem em chamas, faça o mar abrir em dois, faça a brisa brigar com a ventania, mas me tire daqui, que eu não aguento de tanta felicidade!
Poderia voar com tantas borboletas fervilhando em mim! Rodopiei tantas vezes que tirei a Terra de seu eixo, pensei tanto que as palavras criaram cores. Meus passos aqui ter cores neutras e se enchem de graça na sombra de uma árvore. AHh! Que alegria! AHh! Vou nadar pro mar!
O mar daqui podia afogar, mas te leva à areia com um beijos amistoso… Ah! Quanta maldade! É cruel dar à uma mundana paz! É cruel tirar dos escritores as angustias…
Está sendo cruel à mim escrever tantos encantos… 

 Já ficou louco de tanto prazer?

Marcella Mazzarin

10/05/2012 @ 23:47

goela-a-baixo:

Porra… 
4/05/2012 @ 1:16

Raso como sopa em um pirex

Querem saber porque eu sumi e parei de escrever? É que minha vida ficou fácil, o leite se separou da nata sozinho, meu chá está sempre quente e estou com rugas de tanto rir… Isso na verdade é triste, o quão fundo pode-se ir, quando nadamos em águas cristalinas? Qual a graça de se ver o que tem no fundo? E eu vi… ou só estou pisando em uma cobertura meio bamba, para o que está mais a fundo. Mas isso já me basta.
Encontro-me entre ondas leves, correntes mornas e sóis azuis. Estou cercada de mim, não tenho mais o fracasso e as mortes de outrem… Não tenho vitórias para inveja, não tenho amores para tristeza, só tenho a mim. E sabe, sou autossuficiente. Por incrível que pareça, no fundo eu precisava somente jogar um pano em cima da minha parte sombria e fingir que agora, ele é claro e florido.
Sei, o pano vai se queimar, meu chão de cobertura se rachará e minhas mágoas inundaram de jatos frios, meu ócio sentimental. Mas vamos fazer assim, até lá, eu me deitarei nas colinas altas e jogarei panos molhados sobre minha parte maquiada. Deixem-me ser um pouco humana, deixem eu um pouquinho, fingir ter a mim de toda.
Desculpem-me então, pela falta do que falar, por esse texto desnecessário, por essa ladainha feliz. É que felicidade só bate uma vez em nossa porta. E se essa é a vez, me deixem ser feliz pra nunca mais!!! 

Marcella Mazzarin

3/05/2012 @ 22:45

20/04/2012 @ 23:14


É tanta pressão, que as minhas madrugadas se fundiram em manhãs… Por infeliz conseguinte minha inspiração se fundiu em tédio matinal.
— Marcella Mazzarin
16/04/2012 @ 8:18


Up on melancholy hill
There’s a plastic tree
Are you here with me
Just looking out on the day
Of another dream

Well you can’t get what you want
But you can get me
So let’s set up and see
‘Cause you are my medicine
When you’re close to me

— On Melancholy Hill 
6/04/2012 @ 14:40


A gente dorme pra fingir que as besterias que foram feitas e faladas no dia, são sonhos. Mas acorda com um ânimo de pesadelo que meu Deus! Porque é que eu não posso simplesmente não fazer nada?
— Marcella Mazzarin
3/04/2012 @ 23:18


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25/03/2012 @ 2:34

Avoa passarinho beija-céu

Noite fria, o uivo de uma alcateia de folhas, uma Lua alva e comovente. O vento imita maestros e se regojiza da seus limites.
As roupas mais parecem bandeiras nos varais… Talvez mais de mil nações aqui habitam.
Mãe dorme, pai não há, eu na janela inexata. No abrigo de uma casa natureza, chorando para a chuva não estragar. Lar do desabrigo, abrigo dos com rua, barra para os calafrios. Aqui dentro as chamas cintilam, dançam balé ao redor do pavio, seu palco é branco, sua força? Sete dias de esperança. Os santos aquecem seus pés, olhando com reprova tanta miséria.
Meus pés, da cor do chão terra batida, confundem insetos, sempre apressados, que passam pela casa mãe. É gentil de suas partes pensar que eu sou um morro ingrime que beija céus… Talvez um dia eu beije.. Talvez um dia, Mãe não tenha o que a vida pede, e ai beijaremos nós dois os céus.  
O estrondo do trovão faz, em sonho, Mãe chorar. Ela lembra do barulho de fome. Queria ela ser surda, mais fácil não ouvir do que fazer o som cessar.
Hoje fingi ser passarinho, avuei todos os morros, passei dentre as árvores que guardam seus ninhos e as gaiolas que tanto nos rodeiam. Mãe sempre diz que passarinho que voa alto demais, ou cai ou vai preso… Mama não sabe que já existe passarinho na Lua.
Nosso noticiário são as ruas, nossos filmes são as paisagens, nossos nomes é um carimbo.
Olhando em volta da casa natureza, vejo porque que Mãe diz que é melhor deixar os cachorros na rua. A casa tem vida, ao contrário de nós. O seu cheiro é de sofrimento, fumaça e medo. Minha inocência cheira como rosas em meio de peixes num latão.
Deito no chão e me mesclo e desapareço… Deixa ela dormir sobre as notícias hoje, deixa ela achar que tem esse direito. Deixa ela sonhar, com a descoberta do justo.
Eu me dou bem com o chão, sinto em mim os pés que por ela passam. As vibrações me aquietam apesar de não serem boas. O frio é luxo e a dor é Mama.
Quiçá no futuro, casa mãe queira deitar no chão junto com a gente e nos ajudar a subir lá em cima e deixar aqui em baixo todo esse marasmo de vida de bicho-gente.

Marcella Mazzarin 

25/03/2012 @ 1:19


Chega com as tristezas alheias!! Parece que sempre que minha melancolia volta, ela está fazendo parte de uma parada mórbida de desilusões falsas e alusões ao inverso… Eu não quero estar “no estilo” só quero é ser felizmente triste sozinha, vão ser suicidas para lá que esse é o meu parapeito!!!
— Marcella Mazzarin 
12/03/2012 @ 20:13


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Narrativas do gotejar

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